A inovação tecnológica e a automação vêm acelerando a um ritmo vertiginoso. O medo de um futuro distópico, em que as máquinas e a inteligência artificial substituem os trabalhadores de carne e osso, vem se tornando cada vez mais comum. O futuro com robôs e automação, no entanto, é apenas uma parte dessa história. As novas tecnologias podem ser o caminho para um futuro melhor nos países da América Latina e do Caribe: um mundo com novos e melhores empregos, e não apenas um mundo com mais robôs.

Muitos empregos de menor complexidade e que exigem menos capacitação estão, de fato, sendo substituídos pela automação. Por esse motivo, os empregos do futuro vão exigir habilidades novas e mais sofisticadas. Alguns estudos estimam que até 65% das crianças, atualmente no ensino primário, terão empregos que ainda não existem.

Além da automação, a tecnologia e a inovação também trazem mudanças positivas para quase todos os aspectos da vida cotidiana. Da Terra do Fogo a Tijuana, das megalópoles (como São Paulo) até os menores vilarejos de Oaxaca, eu vi como a tecnologia vem mudando a vida das pessoas em uma escala e ritmo praticamente sem precedentes na história. Linhas de montagem, motoristas de Uber pelas cidades e o uso de celulares em comunidades rurais que, até pouco tempo, nem sequer tinham acesso a telefone são exemplos de como o uso da tecnologia pode melhorar a vida de milhões de pessoas.

Na verdade, a adoção de tecnologias digitais pode trilhar o caminho para a redução da pobreza e criar mais (e não menos) empregos, em decorrência do aumento da produtividade. Esses ganhos de produtividade, por sua vez, podem beneficiar não apenas os engenheiros bem capacitados e executivos com experiência tecnológica, mas também os trabalhadores pouco qualificados.

O próximo relatório do Banco Mundial, Empregos do Amanhã: Tecnologia, Produtividade e Prosperidade na América Latina e Caribe, mostra como a adoção de tecnologias aumenta a produtividade. Com mais produtividade, as empresas podem reduzir seus custos variáveis, ampliar a produção, alcançar novos mercados, ganhar mais dinheiro e, nesse processo, criar mais e melhores empregos.

Estudos sobre a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México concluíram que os trabalhadores menos qualificados podem se beneficiar - e, de fato, muitas vezes se beneficiam - da adoção de tecnologias digitais. As empresas que usam tecnologias mais sofisticadas aumentam sua produção e, com frequência, contratam mais trabalhadores - de alta e baixa qualificação - à medida que crescem. Um exemplo é o caso das plataformas de negociação online, que ajudam as pequenas empresas a encontrar mercados internacionais, aumentar suas exportações e, com isso, contratar mais trabalhadores, uma vez que as pequenas empresas tendem a contratar trabalhadores relativamente menos capacitados. Além disso, os aplicativos móveis facilitam a busca de informações sobre oportunidades de emprego, melhorando a correspondência entre empregadores e empregados.

No entanto, a América Latina e o Caribe ainda ficam atrás de outras regiões em termos de adoção de tecnologias digitais. Portanto, para que o crescimento seja mais inclusivo e inclusivo, a disseminação tecnológica precisa acelerar.

Para que isso aconteça, gostaria de mencionar os dois pontos que eu acho mais relevantes. Devemos abraçar e promover a tecnologia e a inovação, e não criar barreiras. A internet é um bom ponto de partida, pois é ela que dá vida às tecnologias digitais. Mais concorrência no mercado de internet de alta velocidade pode ajudar a melhorar o nível de serviço e os preços. Da mesma forma, a redução de tarifas e impostos pode ampliar consideravelmente o acesso das empresas e das pessoas à tecnologia, ao torná-la mais barata. Um exemplo de como as barreiras afetam os preços é que, em alguns países da região, os preços de smartphones e tablets estão entre os mais altos do mundo.

Além disso, o ensino e a capacitação precisam melhorar para que os jovens tirem o máximo proveito das oportunidades oferecidas pelo mundo digital. Sem essas habilidades, o avanço tecnológico pode acabar aumentando a desigualdade, ao beneficiar apenas as pessoas de alta escolaridade e substituir as que ficaram para trás.

Assim como o boom dos preços das matérias-primas ajudou a região a reduzir as taxas de pobreza pela metade na primeira década do milênio, as novas tecnologias podem ser um motor fundamental de crescimento para aumentar as oportunidades para todos, e não apenas para os robôs.